segunda-feira, 28 de abril de 2008

Frango com Marafa

Superstição
Palavra que não conheci uma raça mais supersticiosa como a dos boleiros. Os caras nessa matéria são pau de dar em doido e se duvidam é só ver o que fazem quando entram em campo.
Teve um grande goleiro que depois que entrava em campo e se dirigia ao gol que defenderia, espalhava pela linha do mesmo, um frasquinho de urina que havia colhido no vestiário para segundo ele, demarcar seu território para não deixar nenhum jogador balançar as suas redes.
Um dia seu time levou de cinco a zero, em casa, e a desculpa que usou foi que alguma força oculta havia trocado o frasco de urina por outro com agua, fazendo com que o seu time levasse aquela lavada. Quase apanhou dos amigos, mas esta já é outra história.
Os atacantes não ficam atras, basta ver como o Romário se benzia todas as veses que perdia um gol. Parecia que estava disputando a artilharia mundial dos gols desperdiçados.
Teve até um zagueirão que no ultimo jogo do quadrangular final, quase foi impedido de jogar a final porque seus companheiros não aguentavam o fedor de carniça que vinha da sua cueca, a qual ele não lavava e nem tirava a quinze dias, alegando ter feito uma promessa ao seu santo de devoção de só tir-a-la depois de levantarem a taça. No dia da decisão, foram os outros jogadores que decidiram, que, ou ele jogava a caniça fora vestindo outra ou eles não entrariam em campo, por não aguentarem o cheiro insuportável de fiofó azedo que vinha dele, que com certeza empestearia o vestiario fazendo com que muitos dos outros jogadores se sentissem mau.
Mesmo este boleiro não era pareo para um atacante o qual não vou dar o nome por ser meu amigo e ainda trabalhar no futebol. O negão é tão feio, mas tão feio, que até macumba tem medo dele.
Certa vez quando se preparava para a partida final da disputa do titulo, um macumbeiro sabendo como ele era supersticioso, disse-lhe que soube por uma entidade que o massagista do time adversário havia feito uma mandinga para ele alem de não fazer nernhuim gol, quebrasse a perna de modo a nunca mais poder jogar.
Apavorado com esta possibilidade, o negão perguntou ao fajuto pai de santo, de como podia reverter o trabalho encomendado, que segundo o pai de santo dedo duro, já estava em andamento, recebendo como resposta que teria que desembolsar o equivalente hoje a uns 5 mil reais, para ele comprar os produtos da contra macumba. Para não despertar nenhuma suspeita que acarratesse na perda do Pato, o espiritado de araque disse que a parte mais pesada do trabalho “leia-se, dos 5 mil reais”, ele depositaria em um corrego que passava dentro de uma mata, bem no meio da serra do mar, onde desceriam com a ajuda dos espiritos dos indios que guiaram os portugueses quando começaram a subir de Paranaguá para o planalto de Curitiba, a quase 500 anos, para que as aguas levassem todo o mau para bem longe, convidando o cracão a acompanhá-lo, sabendo que o outro não iria. Se borrando de medo, o negão confirmou o prognostico lhe dissendo que não podia se ausentar tantas horas da concentração, sob pena de ser desligado da equipe, mas que teria o enorme prazer de acompanhá-lo a loja de macumba para comprarem o material necessário.
Foi aí que o 171, demonstrou que para ser um bom macumbeiro o cara tem que ter em primeiro lugar, criatividade. Olhando para o boleiro lhe disse que esta era uma péssima ideia, porque iria ficar exposto as outras entidades que existiam dentro da loja, as quais na maioria eram compostas de espiritos sem luz que o agarrariam e sairiam de lá mais grudadas que chiclete em sola de sapato, por estarem na presença de um cara como ele, segundo o macumbento, um ser iluminado.
Com o ego inchado e o fiofó fechado, deu os cinco paus para o outro, que para sepultar de vez qualquer outro tipo de suspeita lhe disse que quando retornasse da sua aventura de Tarzan, teria que comprar uma galinha preta sacrificá-la e ambos levá-la até uma encruzilhada para oferece-la a outras entidades que por ventura tivessem alguma ancomenda contra sí por parte de alguma Maria Chuteira que ele havia dispensado, servindo como se fosse um págamento para deixarem pra lá.
Como a concentração do time ficava a menos de uma quadra de uma esquina, combinaram se encontrar dois dias depois, perto da meia noite, o que aconteceu para a tranquilidade da quase vitima.
Ao chegaram na esquina, ou encruzilhada como queiram, o Zé macumbento tirou um frango recheado que havia comprado no grego da rua Doutor Muricy, quase esquina com a quinze, que preparava diariamente para viagem uma das melhores penosas assadas de Curitiba, de uma sacola leitosa, passando-a para as mões do meu amigo para que ele a depositasse no chão, ao lado de uma garrafa de marafa, ou seja, cachaça, que o proprio macumbento havia depositado na calçada.
Foi aí que fodeu o cafezal da viuva, porque, que me desculpe o meu amigo, mas o coitado é feio, mais feio, mas tão feio, que o frango como se tivesse criado alma e ela ao olhar para a cara do negão, meia noite, sem nenhuma iluminação a não ser da propria noite que não era lá grande coisa pois a lua estava na minguante, e para ajudar,com a lampada do poste da esquina quebrada, tomou um susto tão grande, que pulou das suas mãos caindo no chão, iniciando uma corrida para o meio da rua rua tendo na passagem apanhado com uma das asas a garrafa de caçhaça e se pirulitou noite a dentro para desaparecer em plena escuridão.
Certeza absoluta do que fui feito do frango eu não tenho, mas alguns anos depois dizem, eu disse, dizem, que foi avistado o espectro de um galinácio bebemorando uma garrafa de marafa com descendentes da mesma espécie, em um terreiro improvisado num local conhecido como Casa da Dinda. Se foi verdade eu não sei, mas pelos antecedentes, dá para arriscar um olho no epílogo deste episódio.

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